Dermatologia clínica

Melasma: causas, tratamentos e cuidados para evitar a piora

23/08/2026 Por Admin

O melasma causa manchas acastanhadas principalmente no rosto e pode piorar com sol, luz visível e alterações hormonais. Entenda por que ele aparece, quais tratamentos podem ser utilizados e como evitar que as manchas voltem.

Melasma: causas, tratamentos e cuidados para evitar a piora

 

O melasma é uma condição dermatológica caracterizada pelo aparecimento de manchas acastanhadas ou acinzentadas, principalmente no rosto. É mais frequente em mulheres, mas também pode acometer homens.

 

As manchas costumam surgir de forma simétrica nas bochechas, testa, nariz, região acima dos lábios e queixo. Embora não provoque dor e não ofereça risco de transformação em câncer, o melasma pode afetar a autoestima e a qualidade de vida.

 

Por ser uma condição crônica e recorrente, seu tratamento não deve se limitar ao uso temporário de um clareador. É necessário controlar os fatores que estimulam a pigmentação e manter uma rotina adequada de fotoproteção.

 

O que causa o melasma?

 

O melasma não possui uma única causa. Ele surge a partir da combinação de predisposição genética, exposição à radiação e influência hormonal.

 

Os principais fatores associados são:

 

  • - exposição solar;
  • - predisposição genética;
  • - gravidez;
  • - uso de anticoncepcionais e outros hormônios;
  • - exposição frequente à luz visível;
  • - irritação e inflamação da pele;
  • - uso inadequado de ácidos e procedimentos;
  • - alguns medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol.
  •  

A radiação ultravioleta estimula os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Em pessoas predispostas, esse pigmento passa a ser produzido e distribuído de maneira irregular, formando as manchas características.

 

Melasma tem cura?

 

Essa é uma das perguntas mais pesquisadas sobre o assunto. O melasma é considerado uma condição crônica e recorrente. Portanto, o mais adequado é falar em controle, e não em cura definitiva.

 

É possível clarear significativamente as manchas e manter a pele uniforme por longos períodos. Entretanto, elas podem voltar quando existe nova exposição aos fatores desencadeantes, principalmente sol, luz visível, alterações hormonais e irritação da pele.

 

Mesmo depois de alcançar um bom resultado, é necessário manter os cuidados preventivos e, quando indicado, um tratamento de manutenção.

 

Qual é o melhor tratamento para melasma?

 

Não existe um único tratamento que seja o melhor para todas as pessoas. A escolha depende de fatores como:

 

  • - tonalidade e sensibilidade da pele;
  • - extensão e intensidade das manchas;
  • - tratamentos realizados anteriormente;
  • - presença de irritação ou outras doenças dermatológicas;
  • - uso de hormônios;
  • - gestação ou amamentação;
  • - rotina e grau de exposição solar;
  • - tendência à hiperpigmentação pós-inflamatória.
  •  

O tratamento geralmente combina fotoproteção, produtos de uso domiciliar e, em casos selecionados, procedimentos realizados no consultório.

 

Entre as possibilidades estão os medicamentos clareadores tópicos, como hidroquinona, ácido azelaico, ácido kójico, retinoides e outras associações. A escolha dos ativos, das concentrações e do tempo de utilização deve ser individualizada.

 

Alguns pacientes também podem ter indicação de peelings químicos, microagulhamento, tecnologias ou medicamentos orais. O consenso latino-americano sobre melasma recomenda que o tratamento seja definido de acordo com as características individuais, com reavaliações periódicas e manutenção após o clareamento.

 

Usar vários ácidos simultaneamente ou escolher produtos apenas por indicação das redes sociais pode irritar a pele e deixar as manchas ainda mais escuras.

 

Qual protetor solar é indicado para quem tem melasma?

 

A fotoproteção é uma das partes mais importantes do tratamento. Sem ela, mesmo os melhores clareadores e procedimentos tendem a apresentar resultados limitados.

 

O protetor solar deve oferecer:

 

  • - proteção de amplo espectro contra UVA e UVB;
  • - FPS 30 ou superior;
  • - boa cobertura e adaptação ao tipo de pele;
  • - resistência à água quando houver suor ou exposição prolongada;
  • - proteção contra a luz visível, preferencialmente por meio de pigmentos.
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Os filtros solares com cor e óxidos de ferro ajudam a proteger contra a luz visível, que também pode estimular a pigmentação, especialmente em peles mais escuras. Evidências apontam que os protetores com cor podem ser mais eficazes que os produtos sem pigmento na prevenção de recaídas do melasma.

 

Além do filtro solar, recomenda-se associar outras medidas:

 

  • - chapéu de abas largas;
  • - óculos de sol;
  • - busca por sombra;
  • - evitar exposição solar intensa;
  • - reaplicar o protetor quando necessário.
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O melhor protetor não é necessariamente o mais caro, mas aquele que oferece a proteção necessária e que a pessoa consegue usar corretamente todos os dias.

 

A luz do celular e do computador piora o melasma?

 

A luz visível participa da pigmentação da pele, mas a principal exposição cotidiana vem do sol. A quantidade emitida por celulares e computadores costuma ser muito menor do que a exposição solar.

 

Portanto, não é necessário abandonar as telas por causa do melasma. A prioridade deve ser a proteção contra a radiação solar e a luz visível do ambiente externo, com filtro solar adequado e barreiras físicas.

 

Calor piora o melasma?

 

Muitas pessoas percebem as manchas mais evidentes em períodos quentes ou após exposições intensas. Porém, sol e calor frequentemente acontecem juntos, o que dificulta atribuir a piora apenas à temperatura.

 

A radiação ultravioleta e a luz visível possuem participação mais bem estabelecida. Ainda assim, pessoas que percebem piora com fontes intensas de calor devem evitar exposições excessivas e observar seus próprios desencadeantes.

 

Laser pode piorar o melasma?

 

Pode, quando utilizado sem indicação adequada ou com parâmetros incompatíveis com a pele do paciente. A inflamação provocada por procedimentos agressivos pode causar hiperpigmentação e deixar as manchas mais escuras.

 

O laser não é considerado a primeira opção para todos os casos. Segundo recomendações de especialistas, ele pode ser utilizado como tratamento complementar em pacientes selecionados, especialmente nos quadros resistentes, após avaliação e preparo adequado da pele.

 

O tipo de equipamento, os parâmetros, o fototipo, a estabilidade do melasma e os cuidados antes e depois do procedimento influenciam diretamente no resultado.

 

Por isso, não existe um “melhor laser para melasma” que seja indicado universalmente.

 

Peeling ajuda a clarear o melasma?

 

Peelings químicos podem auxiliar no clareamento, principalmente quando fazem parte de um plano de tratamento mais amplo. Entretanto, procedimentos muito agressivos aumentam o risco de irritação e hiperpigmentação pós-inflamatória.

 

A escolha do ácido, da concentração, do tempo de contato e da frequência precisa respeitar o tipo e a sensibilidade da pele. O objetivo não é descamar o máximo possível, mas promover melhora progressiva sem provocar inflamação excessiva.

 

Melasma na gravidez desaparece depois do parto?

 

Quando surge durante a gestação, o melasma também pode ser chamado de cloasma. As alterações hormonais desse período aumentam a predisposição à pigmentação.

 

Em algumas mulheres, as manchas clareiam depois do parto. Em outras, permanecem e necessitam de tratamento. A exposição solar durante a gestação também influencia sua intensidade e persistência.

 

Nem todos os clareadores e procedimentos podem ser utilizados durante a gravidez. Por isso, a gestante deve evitar tratamentos por conta própria e priorizar uma rotina orientada, com fotoproteção e produtos compatíveis com esse período.

 

Anticoncepcional pode causar melasma?

 

Os hormônios presentes em alguns anticoncepcionais podem contribuir para o aparecimento ou a piora do melasma em pessoas predispostas. Isso não significa que toda paciente com melasma precise suspender o anticoncepcional.

 

A relação deve ser avaliada individualmente. A suspensão ou substituição do método contraceptivo não deve ser feita sem orientação do ginecologista.

 

Mesmo quando o fator hormonal é modificado, o tratamento dermatológico e a fotoproteção continuam sendo necessários.

 

Existe algum alimento que piora o melasma?

 

Não existe um alimento específico comprovadamente responsável por causar melasma. Da mesma forma, não há dieta, chá, suco ou suplemento capaz de eliminar sozinho as manchas.

 

Uma alimentação equilibrada contribui para a saúde geral da pele, mas não substitui fotoproteção e tratamento dermatológico. Também não existe uma vitamina cuja deficiência seja considerada a causa principal do melasma.

 

O uso indiscriminado de suplementos e fórmulas “clareadoras” pode gerar gastos desnecessários e, dependendo das substâncias utilizadas, oferecer riscos à saúde.

 

Por que o melasma volta depois do tratamento?

 

O melasma pode retornar porque as células responsáveis pela produção de pigmento continuam predispostas a reagir aos estímulos. Entre os principais motivos de recorrência estão:

 

  • - interrupção completa do tratamento após o clareamento;
  • - exposição solar sem proteção adequada;
  • - ausência de proteção contra a luz visível;
  • - uso irregular do protetor solar;
  • - alterações hormonais;
  • - irritação causada por cosméticos ou procedimentos;
  • - tratamento excessivamente agressivo.
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Por isso, o plano deve incluir uma fase de manutenção. Clarear a mancha é apenas uma parte do processo; preservar o resultado também faz parte do tratamento.

 

Como é feito o diagnóstico?

 

O diagnóstico do melasma é predominantemente clínico e deve ser feito por meio da avaliação da distribuição, tonalidade e comportamento das manchas.

 

Nem toda mancha escura no rosto é melasma. Sardas, melanoses solares, hiperpigmentação pós-inflamatória, manchas provocadas por medicamentos e até algumas lesões dermatológicas podem apresentar aparência semelhante.

 

Em casos selecionados, podem ser utilizados recursos complementares para avaliar a pigmentação e excluir outros diagnósticos.

 

Tratamento de melasma em Ipatinga

 

O tratamento do melasma deve considerar não apenas a aparência das manchas, mas também o tipo de pele, os possíveis fatores desencadeantes e os tratamentos já realizados.

 

Na consulta dermatológica, é possível confirmar o diagnóstico, avaliar o grau de pigmentação e elaborar um plano que combine cuidados domiciliares, fotoproteção e procedimentos quando realmente indicados.

 

Se você apresenta manchas no rosto ou já realizou diversos tratamentos sem conseguir manter os resultados, uma avaliação individualizada pode ajudar a compreender o comportamento da sua pele e definir uma estratégia mais segura.

 

Dra. Layara de Assis
Dermatologia e Tricologia em Ipatinga–MG

 

Este conteúdo possui finalidade informativa e não substitui uma consulta médica.

 

O conteúdo foi fundamentado nas orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da American Academy of Dermatology e no Consenso Latino-Americano para o Tratamento do Melasma.